Quem nunca tomou um remédio sem prescrição após uma dor de cabeça ou febre? Ou pediu opinião a um amigo sobre qual medicamento ingerir em determinadas ocasiões? A automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer consequências mais graves do que se imagina.

Muita gente tem uma farmácia particular de remédios para lidar com contratempos como dor de cabeça, coriza e resfriado. Porém, a automedicação começa a se tornar um problema sério quando vira rotina, não só porque sintomas recorrentes podem indicar algo mais sério, mas porque todo medicamento tem potencial nocivo quando corre solto nas suas veias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existe o uso racional de medicamentos (URM) quando “os pacientes recebem medicamentos apropriados às suas necessidades clínicas, em doses e períodos adequados às particularidades individuais, com baixo custo para eles e sua comunidade”. A definição foi proferida durante Conferência de Nairobi, Quênia, em 1985.

O que é automedicação? 

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a automedicação é a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, para tratamento de doenças cujos sintomas são percebidos pelo usuário, sem a avaliação prévia de um profissional de saúde. Portanto, a automedicação se refere ao uso de medicamentos sem prescrição de um profissional habilitado.

A automedicação pode agravar doenças, já que a utilização de remédios sem a informação adequada pode esconder determinados sintomas. Além disso há o risco da combinação errada de substâncias, que pode anular ou potencializar o efeito da outra.

Todo medicamento é desenvolvido para combater uma determinada doença, seja para aliviar os incômodos ou para eliminar o agente causador da enfermidade. Dessa forma, nenhum remédio pode ser considerado inofensivo ao organismo, de modo que só um profissional está qualificado para diagnosticar e indicar o tratamento correto.

Quais são os principais riscos?

Existem alguns perigos ocultos por trás da decisão de se automedicar. É possível que o paciente desenvolva alguma resistência à substância, como no caso de antibióticos ou anti-inflamatórios. Isso significa que na próxima vez que for necessário fazer o uso da mesma medicação, o remédio poderá não fazer o efeito esperado.

Existe também a possibilidade de causar interação com outro remédio do qual o indivíduo já faça uso. Muita gente não sabe, mas alguns tipos de medicamentos podem diminuir, temporariamente, o efeito do anticoncepcional, por exemplo. Pessoas que tomam anticoagulantes também precisam se atentar quanto a isso, para não correrem o risco de desenvolverem trombos, com o corte do efeito.

Ainda mais, não podemos esquecer da possibilidade de intoxicação, ou seja, quando é ingerido uma quantidade de remédio maior do que o organismo consegue digerir.  Ou, ainda, da dependência, em que o paciente precisa, cada vez mais, de uma dose maior da substância, para que tenha o resultado desejado.

Dessa forma, a utilização do medicamento em doses acima das indicadas, a administração por via inadequada (via oral, intramuscular, retal etc.) ou o uso para fins não indicados podem transformar um inofensivo remédio em uma substância tóxica perigosa.

Intoxicações

Você sabia que o uso de medicamentos de forma inadequada é uma das principais causas de intoxicação no Brasil? Os dados são do Sistema Nacional de Informações Tóxico – Farmacológicas (Sinitox) e Fundação Oswaldo Cruz.

De acordo com a pesquisa realizada, a maior parte dos acidentes envolvendo intoxicação está diretamente relacionada com a utilização de substâncias, sem indicação de médicos, para o tratamento de doenças cujos sintomas são percebidos com um autodiagnóstico do paciente.

De acordo com a Anvisa, os medicamentos campeões em intoxicação são os anti-inflamatórios, antitérmicos e os analgésicos.

Além do uso inconsciente de medicamentos, uma parte das intoxicações está relacionada com o uso acidental por crianças. Por isso, além do problema da automedicação, as pessoas devem ter muita atenção no armazenamento dos medicamentos em casa.

Dê preferencia para o armazenamento em local de difícil acesso para as crianças. No caso de problema com a ingestão acidental, recomenda-se que a pessoa busque orientação médica com o máximo de urgência.

Lembre-se de levar ao hospital o medicamento e a bula, pois isso ajudará a equipe na indicação do melhor tratamento para evitar a intoxicação.

A Anvisa também disponibiliza um número para contato em caso de dúvida, o Disque Intoxicação. Você poderá ligar para o 0800 7226001 e solicitar informações à central caso precise alguma orientação específica sobre intoxicação pelo uso de medicamentos. 😉

Medidas importantes:

Na tentativa de minimizar os problemas causados pela automedicação, devem ser consideradas pelos pacientes exclusivamente as orientações de profissionais habilitados e após um diagnóstico seguro.

A absorção, o metabolismo e a excreção do medicamento dependem do pleno funcionamento dos órgãos, portanto cada paciente possui características metabólicas que diferem a dose prescrita do medicamento de indivíduo para indivíduo, como atenção a pacientes idosos, crianças, obesos e àqueles que possuem insuficiências hepática e renal.

No caso de eventuais dúvidas na utilização de um medicamento, consulte sempre um profissional da saúde.

 

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