O medo, ansiedade e pânico foram e ainda são sensações importantíssimas para a sobrevivência da espécie humana. Ao se deparar com situações de perigo extremo, é bom que esses sentimentos tomem conta do indivíduo para que ele tema por sua vida e busque fugir da ameaça. Mas, e quando essas sensações se tornam patológicas? E quando começam a acontecer repentinamente e sem motivo aparente, trazendo transtornos e constrangimentos para o indivíduo? O que fazer?

O QUE É A SÍNDROME DO PÂNICO?

A síndrome do pânico é um transtorno psicológico em que ocorrem crises repentinas e frequentes de medo extremo e pavor, que provocam sintomas como suor frio e palpitações cardíacas.

Essas crises fazem com que o indivíduo não leve uma vida normal, pois ele tem medo de que as crises voltem e evitam situações de perigo. Por exemplo, se a crise ocorreu em um elevador, é comum o paciente não querer mais voltar a utilizar o elevador no trabalho ou em casa.

Além disso, as crises são seguidas de preocupação persistente com a possibilidade de ter novos ataques e com as consequências desses ataques, seja dificultando a rotina do dia a dia, seja por medo de perder o controle, enlouquecer ou ter um ataque no coração.

QUAIS SÃO AS CAUSAS?

A síndrome do pânico não tem uma causa definida, mas parece ser uma doença hereditária que afeta principalmente mulheres e que costuma surgir no final da adolescência e início da vida adulta. Porém, a ciência acredita que um conjunto de fatores pode desencadear o desenvolvimento deste transtorno, como:

  • Genética
  • Estresse
  • Temperamento forte e suscetível ao estresse
  • Mudanças na forma como o cérebro funciona e reage a determinadas situações.

Alguns estudos indicam que a resposta natural do corpo a situações de perigo esteja diretamente envolvida nas crises de pânico. Apesar disso, ainda não está claro por que esses ataques acontecem em situações nas quais não há qualquer evidência de perigo iminente. Além disso, é comum algumas pessoas terem a experiência de um ataque de pânico na vida, mas não voltarem mais a apresentar os sintomas e não desenvolverem a síndrome.

QUAIS OS SINTOMAS?

A duração de uma crise da síndrome do pânico depende da sua gravidade, mas normalmente dura cerca de 10 minutos, e pode ocorrer a qualquer momento, mesmo durante o sono.

  • Aumento do batimento cardíaco ou palpitações
  • Dor no peito, com sensação de “aperto”
  • Sensação de falta de ar
  • Sensação de fraqueza ou desmaio
  • Formigamento das mãos
  • Sensação de terror ou perigo eminente
  • Sensação de calor e suor frio
  • Medo de morrer

É importante lembrar que alguns sintomas podem demorar horas para desaparecer, e que os pacientes com esta síndrome sentem uma sensação de perda de controle sobre si próprio durante o ataque, passando a viver com um medo intenso de terem novas crises. Além disso, eles também costumam evitar frequentar lugares em que já tiverem um ataque de pânico no passado, como já foi dito.

EXISTEM TRANSTORNOS RELACIONADOS?

Condições como a depressão e a ansiedade crônica estão relacionadas à síndrome do pânico. Outros problemas que estão relacionados ao transtorno são:

  • Transtorno de ansiedade generalizada (TAG);
  • Fobias específicas;
  • Transtorno obsessivo compulsivo (TOC);
  • Transtorno do estresse pós-traumático;
  • Fobia social.

VOCÊ SABIA QUE EXISTE DIFERENÇA ENTRE CRISE DE PÂNICO E SÍNDROME DO PÂNICO? 🤔

Muitas pessoas experimentam crises de pânico sem mais episódios recorrentes ou complicações. Nesses casos, o problema não pode ser diagnosticado como Síndrome do pânico.

A síndrome só ocorre quando os episódios são recorrentes, combinados com mudanças intensas no comportamento, como a ansiedade e o estresse persistentes ou a dificuldade de sair de casa por medo de novas crises.

Nesses casos, as crises recorrentes representam um grande peso emocional na vida do paciente. A memória do medo intenso e do terror experienciado durante os episódios pode afetar negativamente a autoconfiança do paciente e causar graves perturbações na vida cotidiana. Nesse caso, a regra é simples: uma única crise de poucos minutos pode deixar cicatrizes duradouras e de difícil tratamento.

Eventualmente, isso pode levar o paciente a sentir:

  • Ansiedade antecipatória: o paciente se sente tenso mesmo em situações em que deveria estar tranquilo. Essa ansiedade normalmente ocorre em decorrência do medo de novas crises. É famoso “medo de ter medo”, e ele pode ser extremamente incapacitante;
  • Evitação fóbica: o paciente pode começar a evitar diversas situações ou ambientes, baseando-se na crença de que a situação que está evitando é a causa da crise de pânico anterior. Outra justificativa é o medo de locais onde a fuga seria difícil ou onde não encontraria ajuda disponível.

CICLOS DO PÂNICO

As pessoas que sofrem de síndrome do pânico muitas vezes acabam ficando presas em um ciclo vicioso e bastante incômodo. Este fenômeno é chamado de Ciclo do Pânico e pode afetar de forma crônica a vida do paciente.

EXISTEM FATORES DE RISCO?

As crises de síndrome do pânico geralmente começam entre a fase final da adolescência e o início da idade adulta. Apesar disso, podem ocorrer depois dos 30 anos e durante a infância, embora no último caso ela possa ser diagnosticada só depois que as crianças já estejam mais velhas.

A síndrome do pânico costuma afetar mais mulheres do que homens e pode ser desencadeada por alguns fatores considerados de risco, como:

  • Situações de estresse extremo
  • Morte ou adoecimento de uma pessoa próxima
  • Mudanças radicais ocorridas na vida
  • Histórico de abuso sexual durante a infância
  • Ter passado por alguma experiência traumática, como um acidente.

Algumas pesquisas indicam que se um gêmeo idêntico tem síndrome do pânico, o outro gêmeo também desenvolverá o problema em 40% das vezes. Pode acontecer, no entanto, de a doença se manifestar sem que haja histórico familiar dela.

SÍNDROME DO PÂNICO NA GRAVIDEZ

Devidos às alterações hormonais e às preocupações com o bebê, é comum a ansiedade aumentar durante a gravidez, o que pode favorecer o aparecimento de ataques de pânico, principalmente em mulheres que já tiveram crises anteriormente.

Quando não tratada, essa doença pode causar complicações para gestação como:

  • Aumento do risco de pré-eclâmpsia;
  • Parto prematuro;
  • Aumento do número de cesarianas;
  • Baixo peso do bebê ao nascer;
  • Diminuição dos movimentos fetais.
O tratamento desta síndrome durante a gravidez deve ser baseado principal na psicoterapia, pois o uso de medicamentos pode afetar o desenvolvimento do feto. No entanto, em alguns casos o uso de medicamentos é realmente necessário, mas deve ser feito em baixas doses e apenas sob orientação médica. Além disso, também é importante que a mulher siga o tratamento após o nascimento do bebê, pois durante esta fase as chances de ter um ataque de pânico aumentam.

A SÍNDROME DO PÂNICO TEM CURA?

A primeira preocupação quando uma pessoa é diagnosticada com transtorno do pânico é saber se a Síndrome do pânico tem cura. Para você que sofre com esse distúrbio ou conhece alguém que tenha esse distúrbio, saiba que sim, existe cura, desde que o paciente busque o profissional certo, que tenha o conhecimento necessário. Desta forma, em pouco tempo a pessoa estará melhor, claro que a duração do tratamento vai depender de cada pessoa, porém, admitir e procurar ajuda profissional já é um caminho para a cura.

Apesar de, hoje em dia, a população de forma geral já entender melhor a necessidade de tratamentos psicológicos e psiquiátricos, sem dizer que eles são apenas para malucos, é comum se deparar ainda com alguns preconceitos. No entanto, as pessoas devem se conscientizar de que uma hora ou outra em suas vidas vão precisar da ajuda de um desses profissionais, assim como precisam de clínicos gerais, cardiologistas, ginecologistas, dentistas, entre outras especialidades.

Se você não tiver ainda consciência disso, pode prejudicar ainda mais a sua saúde, ao se socorrer em calmantes ou dependentes químicos, como muitas pessoas fazem. Infelizmente, existem casos de pessoas que negam o fato de serem portadores da Síndrome do pânico e usam o álcool para conseguirem ter uma vida normal. A bebida alcoólica, por exemplo, serve como um depressor do sistema nervoso central, por isso, quem tem o distúrbio possui tendência ao alcoolismo.

O QUE FAZER DURANTE UMA CRISE DE PÂNICO?

Durante uma crise de pânico, seu corpo irá apresentar diversos sintomas estranhos, que vão lhe tirar do eixo. Você pensa que vai enlouquecer, que vai morrer, acaba perdendo a lógica das coisas e a crise toma conta da sua cabeça. Sim, ela está apenas na sua cabeça. Mas, então, o que fazer durante uma crise de pânico?

Muitas pessoas, quando sofrem uma crise de pânico, acabam sendo algumas vezes levadas para o hospital, com suspeita de ataque cardíaco, infarto, mas acaba sendo constatado que não há absolutamente nada. E, quando voltam para casa, essas pessoas realmente acham que estão ficando realmente loucas.

Mas, ao contrário do que muitas pessoas que tem a Síndrome do Pânico pensam, isso não é verdade. Essas sensações são consequências da doença, que afeta o estilo de vida da pessoa progressivamente

É algo que pode ser treinado. Então, quando o pânico chegar, tente ignorar os seus sentimentos. Tente pensar em alguma coisa muito boa, que lhe faz bem. Assim, a química cerebral acaba sendo influenciada e o medo de morrer ou de enlouquecer vão desaparecendo aos poucos. Mas, como dissemos antes, isso é uma questão de treino. E, se você realmente quer vencer essa doença, precisa aprender a lidar com ela para superá-la.

Outra prática que pode lhe ajudar a vencer a crise de pânico é respirar fundo e contar até cem. Parece bobo, mas funciona. Obviamente que essas sugestões são apenas para lhe ajudar a lidar com as crises. Não deixe o seu orgulho falar mais alto e procure ajuda. Com um tratamento adequado, as chances de cura são muito grandes e você pode voltar a ter uma vida completamente normal e sã.

RECOMENDAÇÕES 

Se você teve qualquer sintoma típico, procure ajuda médica o quanto antes. Os ataques são difíceis de controlar por conta própria e podem piorar se não houver acompanhamento médico e tratamento adequados.

Não tenha medo ou vergonha de procurar ajuda médica. O trabalho de um especialista é importante para encontrar meios seguros para tratar a síndrome do pânico. É interessante que o paciente vá à consulta acompanhado de uma pessoa confiança, seja parente ou amigo, tanto para dar apoio moral quanto para ajudar a descrever o problema, já que a ansiedade pode dificultar o relato dos sintomas.

 

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