A cada ano, cerca de 10 mil novos casos de câncer de bexiga são diagnosticados no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença afeta mais homens do que mulheres.

Segundo o Inca, homens brancos e de idade avançada são o grupo com maior probabilidade de desenvolver esse tipo de câncer. O tabagismo pode aumentar o risco e está associado à doença em 50 a 70% dos casos. A exposição a diversas substâncias químicas também está ligada ao desenvolvimento do câncer de bexiga.

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Para você entender melhor…

A bexiga é um órgão flexível, localizado na pelve (bacia) e com o formato aproximado de uma bola. Sua principal função é armazenar a urina antes que ela seja eliminada pelo organismo. Após ser produzido pelo rim, o xixi é transportado até a bexiga por meio dos ureteres. Durante a micção, os músculos da bexiga são contraídos e o líquido é expelido pela uretra.

 Os tumores de bexiga são duas a três vezes mais comuns nos homens, e duas vezes mais frequentes em homens caucasianos (brancos) do que em negros.

O câncer de bexiga costuma ser diagnosticado entre os 60 e 70 anos de idade. Geralmente, aparecem um ou mais tumores pequenos e superficiais próximo à mucosa de revestimento interno do órgão. Calcula-se que cerca de 25% das pessoas que tenham câncer de bexiga poderão ter um segundo tumor primário em outro local do sistema urinário.

A bexiga

Nos homens, a bexiga está situada na parte inferior do abdômen, logo à frente do reto. Sua parede é formada por três camadas de tecido:

  • Camada mucosa, que recobre seu interior;
  • Camada muscular, formada por fibras de músculo liso;
  • Camada adventícia (ou serosa), que recobre a parte mais externa.

A maioria dos cânceres de bexiga começa no urotélio, que é a camada de células mais interna da bexiga. Ela reveste o interior do ureter, a bexiga, a uretra e algumas partes do rim.

Quais os tipos de câncer de bexiga?

Há diferentes tipos de cânceres de bexiga. Eles são divididos nos tipos de células onde o tumor se inicia. Os não invasivos ainda não invadiram camadas mais profundas. Já os cânceres invasivos são mais propensos a se disseminarem e mais difíceis de tratar. São eles:

  • Carcinoma de células de transição: representa a maioria dos casos e começa nas células do tecido mais interno da bexiga;
  • Carcinoma de células escamosas: afeta as células delgadas e planas que podem surgir na bexiga depois de infecção ou irritação prolongadas; e
  • Adenocarcinoma: se inicia nas células glandulares (de secreção) que podem se formar na bexiga depois de um longo tempo de irritação ou inflamação.

O câncer de bexiga é considerado superficial quando se limita ao tecido de revestimento da bexiga, e invasivo quando se dissemina através do revestimento da bexiga e invade a parede muscular. Pode afetar órgãos próximos ou gânglios linfáticos.

Mudanças nos hábitos urinários ou sintomas irritativos

O sangue na urina é considerado o principal sinal de alerta para o câncer de bexiga. Nem sempre a quantidade de sangue é suficiente para alterar a cor da urina, mas exames laboratoriais detectam pequenas quantidades de sangue presentes. Os casos iniciais da doença normalmente causam pouco sangramento e pouca dor, ou mesmo nenhuma.

É importante destacar que outras doenças como infecções e cálculos renais também podem resultar em sangue na urina, por isto a necessidade de um exame mais detalhado para verificar as causas.

Além de sangue na urina, câncer de bexiga pode, algumas vezes, provocar alterações na micção, como:

  1. Urinar com frequência maior que a habitual;
  2. Sensação de dor ou queimação ao urinar;
  3. Urgência em urinar, mesmo quando a bexiga não esteja cheia;
  4. Problemas para urinar ou fluxo de urina fraco

Esses sintomas também podem ser causados por uma doença benigna, como infecções, tumores benignos, cálculos na bexiga, bexiga hiperativa ou por aumento de tamanho da próstata. Ainda assim, é importante procurar um médico, para que a causa seja diagnosticada e tratada, se necessário.

Em estágio avançado, o câncer na bexiga podem provocar outros sintomas, como:

  1. Impossibilidade da pessoa urinar;
  2. Dor lombar;
  3. Perda de apetite e perda de peso;
  4. Fraqueza;
  5. Inchaço nos pés;
  6. Dor óssea.

Se há uma razão para suspeitar que uma pessoa possa ter câncer de bexiga, o médico solicitará exames complementares para diagnosticar se é câncer ou outra doença. Em caso de ser câncer, exames complementares serão realizados para o estadiamento da doença.

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Como funciona o diagnóstico e o tratamento?

O diagnóstico do câncer de bexiga pode ser feito por exames de urina e de imagem, como tomografia computadorizada e citoscopia (investigação interna da bexiga por meio de um instrumento dotado de câmera). Durante a cistoscopia pode ser retirado material para biópsia.

A probabilidade de cura dependerá do estadiamento (extensão) do câncer (superficial ou invasivo) e da idade e saúde geral do paciente.

A cirurgia, sozinha ou combinada a outros tratamentos, é a abordagem mais usada.

Em estágios iniciais, os tumores podem ser removidos. O problema é que, com o tempo, novos cânceres podem se formar em outras partes da bexiga.

Há também a opção de retirada total da bexiga ou uso combinado da cirurgia com outras abordagens. As opções de tratamento vão depender do grau de evolução da doença.

Em resumo, as cirurgias possíveis são:

  • Ressecção transuretral: cirurgia na qual o médico remove o tumor por via uretral;
  • Cistotectomia parcial: processo cirúrgico que retira apenas uma parte da bexiga; e
  • Cistotectomia radical: ocorre a remoção completa da bexiga, com a construção de um novo órgão para armazenar a urina.

A radioterapia pode ser utilizada isoladamente ou associada à quimioterapia, e por vezes é utilizada após a cirurgia ou em substituição à cirurgia.

Quanto à quimioterapia, que pode ser neoadjuvante (realizada antes da cirurgia) ou adjuvante (realizada após o processo cirúrgico), há duas alternativas:

  • Na forma sistêmica, ingerido como medicamento ou injetado na veia; e
  • Na forma intravesical, aplicada diretamente na bexiga através de um tubo introduzido pela uretra.

Para o tumor músculo invasivo, os tratamentos podem ser os seguintes:

  • Cistectomia radical – é o tratamento padrão para os casos de tumor músculo-invasivo localizado. São avaliadas a condição clínica do doente e a presença de comorbidades para a indicação do tratamento. A sobrevida global em cinco anos é em torno de 65%, e em 10 anos, em torno de 45%; e
  • Linfadenectomia – é a  retirada de parte dos linfonodos e sempre deve ser realizada, uma vez que está associada a melhores resultados oncológicos.

A cirurgia laparoscópica (robótica/laparoscópica pura), quando comparada à cirurgia aberta, tem menor taxa de complicação, menor necessidade de transfusão, melhor controle de dor e tempo de internação mais curto. Quanto a resultados oncológicos, as duas têm resultados comparáveis.

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Fatores de risco

O sexo masculino é mais propenso a ter esse tipo de câncer. Entre os fatores de risco, estão:

  • Genética: se algum parente de primeiro grau teve a doença, aumentam as chances de se ter o câncer de bexiga;
  • Exposição à radioterapia, medicamentos e outras substâncias: quem trabalha com borracha, couro e tintas corre mais riscos de adquirir a doença. Além disso, pacientes que foram expostos à radiação devido à quimioterapia também estão mais propensos ao câncer de bexiga;
  • Idade: as chances de adquirir o câncer aumentam conforme a pessoa envelhece. A doença é mais comum após os 40 anos de idade;
  • Ingerir pouco líquido: ao beber bastante líquido durante o dia, ocorre maior diluição das substâncias tóxicas da urina e aumento da micção;
  • Inflamação crônica na bexiga: quem tem teve infecções crônicas no trato urinário e, especialmente, na bexiga, bem como inflamações, pode ter o risco da doença aumentado;
  • Raça e etnia: pessoas caucasianas (de pele branca) têm cerca de duas vezes mais chances de desenvolver câncer de bexiga do que as demais;
  • Tabagismo: as substâncias cancerígenas encontradas no cigarro são absorvidas pelo trato digestivo e misturam-se com a urina após o processo de filtração renal. Com isso, as paredes internas do órgão acabam sofrendo alteração celular, que podem levar ao câncer.

O câncer de bexiga tem cura?

Sim! Como a maioria dos cânceres, depende do estágio da doença. Quanto mais cedo for identificado, maior a chance de cura.

A doença pode voltar?

Sim, é relativamente comum a recorrência dos tumores de bexiga. Por isso o paciente deve estar orientado a fazer um seguimento com seu Urologista de maneira regular. Com o acompanhamento periódico, mesmo que ocorra uma recidiva, ela é geralmente tratável sem que haja impacto na qualidade de vida e perspectivas de cura posterior.

Existem alimentos que previnem o câncer de bexiga?

Um dos alimentos que mais foi objeto de estudos foi o brócolis. Embora mais estudos sejam necessários, algumas pesquisas indicam que o consumo desse vegetal pode ter ação antitumoral ao promover a excreção de substâncias tóxicas.

Há necessidade do uso de sonda após a raspagem da bexiga (RTU de bexiga)?

Sim, ela é necessária para que possíveis sangramentos decorrentes da cirurgia não se acumulem dentro da bexiga, ocasionando coágulos e dores. Também utiliza-se a sonda urinária para deixar a bexiga “em repouso”, recuperando a área do tumor ressecada. Esta sonda urinária é temporária e seu tempo de permanência depende basicamente do tamanho da ressecção realizada.

Quais os principais efeitos colaterais da radioterapia no tratamento do câncer de bexiga?

Como tratamento complementar após a cirurgia da bexiga, como forma inicial de tratamento quando o paciente não pode ser submetido ao tratamento cirúrgico ou ainda como fase inicial do tratamento em casos de tumores avançados ou para tratar complicações, como sangramento na urina.

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